Procedimento, conhecido como Sleeve, também traz menor risco à saúde
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) mostram em uma recente pesquisa que o número de cirurgias bariátricas realizadas no país teve um aumento de 90% nos últimos cinco anos. De acordo com o estudo americano, nomeado “Metabolic/Bariatric Surgery Worldwide 2011” (Cirurgia Metabólica/Bariátrica Mundial 2011), realizado pelo departamento de cirurgia da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, o Brasil ao lado dos EUA e Canadá, lideram nos últimos oito anos o número de cirurgias bariátricas em todo o mundo. Em 2011, por exemplo, o número de operações do total mundial foi de 340.768. Os Estados Unidos e o Canadá registraram o maior número de operações (100.645), seguido por Brasil (65.000), França (27.648), México (19.000), Austrália (12.000) e Reino Unido (10.000).
Uma técnica recente que vem ganhando destaque em relação às outras é a Gastrectomia Sleeve, que proporciona o emagrecimento com menos riscos e menos sacrifício. Segundo o estudo da Universidade de Minnesota, a Gastrectomia Sleeve teve o maior aumento entre os métodos de cirurgias bariátricas existentes, passando de 0,0% há oito anos atrás para mais de 25% hoje, nas 50 nações que participaram do estudo.
A técnica foi experimentada em 2002 pelo médico canadense Michel Gagner, como primeira parte de uma cirurgia bariátrica que é dividida em duas fases. “A bariátrica Sleeve é uma técnica que surgiu a partir de outra mais complexa já existente, dividida em duas fases, onde se fazia a redução gástrica e um desvio intestinal, nos casos de pacientes super obesos com IMC acima de 50. O que aconteceu é que esses pacientes perderam muito peso e não queriam se submeter ao segundo tempo da cirurgia por estarem satisfeitos com a perda de peso e, assim, foi criada uma nova técnica, mais simples e menos invasiva”, conta o cirurgião bariátrico da LEV – Centro Avançado de Controle de Peso, Luís Augusto Mattar.
Os benefícios
Na Sleeve é feita a redução do estômago no sentido vertical, não sendo realizado o desvio intestinal, como nas técnicas tradicionais. Ou seja, o paciente desta técnica tem sua absorção de nutrientes preservada. Para a endocrinologista, Paula Andrea Junqueira de Freitas, a Gastroplastia Vertical traz benefícios para o paciente obeso. “Trata-se de um procedimento puramente restritivo, não levando à disabsorção intestinal e, consequentemente, não necessitando de reposição de suplementos vitamínicos. Com a retirada de parte do fundo gástrico, promove a redução da produção do hormônio grelina, responsável pela sensação de fome, ou seja, com a cirurgia, o apetite também diminui. Na minha opinião é um procedimento seguro e eficaz, com tempo de internação reduzido, menor índice de complicações, podendo ser realizado por via laparoscópica e com resultados terapêuticos satisfatórios”, explica a endocrinologista.
O administrador de empresas, Omar Rodrigues, passou pelo procedimento há seis meses e conta que a cirurgia foi bem tranquila. “Esperava que a cirurgia fosse difícil, mas foi super tranquila. Estava preparado para sentir enjôos e mal estar, mas não senti nada. Nos primeiros trinta dias é um pouco complicado porque você está acostumado a comer e de repente você se depara com o seu organismo sem essa necessidade. Isso foi um choque no início: você não sente fome, então você já consegue controlar a ansiedade dessa forma. Depois que passa o período de adaptação, tudo volta ao normal, você volta a comer, porém, com novos hábitos. Tive uma redução de 37 kg, estava com obesidade grau 2, pesando 110 kg. Hoje já alcancei minha meta pessoal e pretendo perder apenas mais três quilos e chegar aos 70 kg”, afirma Omar.
Reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina em fevereiro de 2010, esta técnica apresenta um aumento cada vez maior de adeptos e é realizada, desde então, em Uberlândia, pelos cirurgiões da LEV, que foram pioneiros do Sleeve na cidade e os primeiros de Minas Gerais a realizar esta técnica por um único portal ou single port – técnica menos invasiva, com um corte de 2 centímetros na altura do umbigo.
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